O Rio Jucu transbordou até a Colômbia

A Cartografia Afetiva do Rio Jucu transbordou! Rompemos as fronteiras imaginárias, reforçamos as pontes entre o Brasil e a Colômbia. Foram dois encontros no Museo De Antioquia, em Medellim, Colômbia.

 

Num grande círculo e dentro de um ciclo de atividades que iam desde percorrer o centro de Medellin à mediações pelas salas do museu passando por momentos de criação coletiva, a Cartografia Afetiva do Rio Jucu fluiu junto a mais de 100 pessoas. Fomos parte de um esforço que vem sendo feito por inúmeros grupos, coletivos e organizações, para pensar o bem comum, a água e a tomada de responsabilidade por parte de todas as pessoas, de todos os seres.

 

O convite vindo do departamento de Programas Públicos do Museu e a programação proposta nos permitiram ser nesses dias um ecossistema pensante e sensível, reflexivo e propositivo, sonhador e aterrador.  Falamos das inspirações para nosso mergulho poético no Rio Jucu, nos abraçamos com nossas memórias, reescrevemos “istórias” relembrando dos armários onde se guardam as intenções.

Aí, eu e Maria Alejandra, lembramos da Barrinha e de suas tantas manifestações de beleza, revisitamos o dia em que não encontramos uma nascente do Jucu por que felizmente ela estava completamente escondida pela mata densa e perpassamos por detalhes desses poucos e intensos anos junto a esse curso d’água. Apresentar esse trabalho nos anima a seguir, nos fortalece, dá sentido e, mais que tudo, mostra o desafio que está colocado para a humanidade: salvar a água e a si mesma.

Foi difícil falar das águas no Espírito Santo, mostrar o Deserto Verde no norte do estado e a devastação promovida pelo monocultivo do eucalipto via Fibria (Aracruz Celulose), dizer da morte dos rios nessa região, do isolamento das comunidades quilombolas entre eucaliptais, seca e veneno. Foi duro mostrar o Rio Doce, acompanhar de longe seus últimos momentos, a tragédia anunciada de sua passagem pelas cidades até sua chegada ao mar e a postura das empresas criminosas, Vale e Samarco. A Cartografia foi convidada num contexto onde queriam repercutir a RESPONSABILIDADE ambiental e só foi possível falar de IRRESPONSABILIDADE, DESCASO e CRIME ambiental em território brasileiro. Foi possível desde longe sentir que nosso país tem sido visto no sentido sócio-ambiental como uma Zona de Sacrifício.

No contexto da Bacia Hidrográfica do Rio Jucu são também inúmeros as ações destrutivas e nosso trabalho embora feito com imenso amor e dedicação se mostra obviamente pequeno para tantas necessidades. Quiséramos que a Cartografia fosse sim, mais uma ação entre muitas e que mais que tudo pudesse influenciar diretamente sobre a vida do rio.

Estamos aí com toda a disposição de compor e fortalecer uma rede de cuidados, atenção e ação pelo Jucu. Por agora, podemos falar, mostrar, refletir, provocar e ver se tocamos corações e mentes.

Por agora, posso dizer que todos os navegantes desta viagem, os que propuseram, a equipe do Museu e as pessoas com quem estivemos, puderem com tamanha  delicadeza e atenção fazer-nos sentir que estamos no mesmo barco!

Esperamos seguir fluindo juntos, conhecendo pessoas e idéias transformadoras e cheias de sonho. Estamos gratas pelo acolhimento, e por fazer possível que o Jucu mesmo depois de deixar de chegar ao mar, promova a façanha de desembocar na Colômbia e quase encontrar-se com o Rio Medellin, que desde suas margens dialoga com aqueles que com ele compatilham o mesmo território.

Total agradecimento,

Fabiola Melca

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