25/11/2012[FOTO e TEXTO] Araçatiba, por João Luiz de Oliveira

No domingo, 25 de novembro, chegou a vez de conhecermos Araçatiba, uma comunidade formada por descendentes de quilombolas. Pertence ao município de Viana, e está a 30 km da sede desta cidade. A história “oficial” da comunidade começa com a chegada dos jesuítas, que catequizaram e escravizaram os índios tupiniquins naturais do local. Os indígenas trabalharam no cultivo da cana de açúcar, na construção da igreja Nossa Senhora D’Ajuda e na abertura do canal de Jacarandá, que utilizavam para escoar a produção da fazenda rumo à Vitória e ao mar.

Após a expulsão dos jesuítas, Sebastião Ferreira Machado assume o controle da fazenda e traz 800 negros para continuar o trabalho realizado pelos indígenas. Começaram a cultivar milho, arroz e mandioca, além da cana de açúcar. Aparentemente, este senhor era mais bondoso (?) a ponto de não existir tronco na fazenda de Araçatiba, questão essa debatida por Jane, filha de dona Nini, a matriarca da Fazenda.

Saímos da Barra do Jucu às 6 da manhã para começar a jornada que nos levaria até a missa afro de Araçatiba. Passamos pelo terminal de Itaparica, depois o de Vila Velha, logo o de Campo Grande, e desde aí, o ônibus 902, rumo à fazenda. Logo que saímos do território urbano, fomos contemplados por cadeias de montanhas muito verdes e pastagens infinitas. De mochilas nas costas e chuva na cabeça chegamos à quadra poliesportiva da Escola Municipal enquanto os responsáveis pelo evento ainda arrumavam os últimos detalhes do cenário para a celebração de suas crenças.

A missa foi conduzida por uma sacerdotisa e durante toda a missa houve intervenções musicais quase que teatrais pelo capricho nos figurinos usados tanto pelas crianças quanto pelos adultos. A missa teve direito à uma banda com percussão de congo e backing vocals. Na hora do almoço tivemos uma boa surpresa. A degustação de um prato indígena chamado Sotêco, feito de banana, tomate, cebola, alho, tempero verde e limão. Uma iguaria super exótica para acompanhar a moqueca de peixe. Muy rica. Haviam muitas pessoas fazendo o registro do evento por meio de fotos e vídeos, foi algo impressionante ver tantas câmeras em ação!

Na parte da tarde, três bandas de congo se apresentaram ao mesmo tempo, uma loucura! Foi uma experiência incrível de contratempo. A chuva nos manteve a todos curtindo aquele som frenético na quadra da escola, mas finalmente São Pedro deu uma trégua e fomos todos subir a ladeira rumo a igreja de Nossa Senhora D’Ajuda num cortejo alucinante. Após o congo, houve a apresentação de uma banda de samba muito boa para fechar este evento tão familiar!

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