7/11/12 [TEXTO] Reserva de Jacarenema – Barra do Jucu – Vila Velha por João Luiz de Oliveira

CORTOS VIAJES: 1ª Expedição Mergulho Poético pelo Rio Jucu.

Oito de novembro de 2012, Vila Velha, Espírito Santo.

Depois de dois dias de muita chuva, os tripulantes dessa embarcação acordaram na Barra do Jucu com uma apresentação por parte de Petrus, um companheiro do Instituto Jacarenema de Pesquisas e Proteção Ambiental. Esse companheiro, que viveu na Barra do Jucu durante 20 anos, nos contou com nostalgia dos dias em que podia surfar no rio. O Instituto trabalha desde o ano de 2004 e nesse tempo, encontrou na lontra, mamífero da região, um termômetro ambiental e figura carismática para ajudá-los a conquistar mais adeptos da preservação deste rio tão importante para região.

Após um breve estudo sobre os dados que nos passou Petrus, recebemos uma chamada do grande Hudson, um trabalhador da cidade dono de um barquinho muito aconchegante. Confirmado um encontro pós-almoço no Brega’s, restaurante na beira do Rio Jucu. Barrigas cheias e pés na estrada. Ou melhor, no braço de rio. 5 tripulantes e o capitão. Partimos. A primeira parte do rio, logo ao lado do Morro da Concha, se encontra bastante assoreada. Podíamos escutar os remos fazendo pressão contra a areia do fundo. Por isso, muitas pessoas realizam a travessia dessa parte do rio a pé, para chegar ao mar, ou pescar.

Pelo caminho, nos deparamos com diversas espécies de fauna e flora. Cabelo d’água e gigóia são duas plantas em abundância no rio pela existência dos dejetos oriundos do esgoto. A sujeira as alimenta. Com a ajuda do assoreamento, essas plantas formam ilhotas por toda extensão do baixo Jucu. Entre esse cenário verde e estranho, convivem também garças, frangos d’agua, piaçocas, urubus-rei, e presenciamos uma engraçada perseguição de dois bem-te-vis a um gavião, que com certeza estava tentando alimentar-se das crias desses lindos cantores. E infelizmente, muito lixo ao longo do percurso: garrafas pet, sacolas plásticas, sapatos… O triste foi ver que também havia muito lixo em alguns pontos específicos das margens, onde ficam pescadores. Engraçado não é? Os que talvez mais precisam do rio ajudam a contaminá-lo diretamente.

Um ponto muito marcante foi passar abaixo da Rodovia do Sol, que corta a Reserva de Jacaranema em duas. Concreto no meio do mato. Barulho desconexo. Carros, motos, pedestres, ciclistas e nossa embarcação meio ao rio e todos esses pássaros e mato “morto”. Chocante também foi ver o Canal do Araçás, que lança “a céu aberto”(embaixo da ponte) muitos resíduos sólidos e outras substâncias tóxicas no Jucu. Passada a ponte nos encontramos a um pescador de camarões, para criá-los em cativeiro e depois vendê-los R$25,00 o quilo.

Ao fim do percurso, fizemos uma parada estratégica na casa da mãe de Hudson, nosso capitão. Depois de uma grande desidratação (esquecemos a única garrafa d’água no restaurante Brega’s baixo um sol escaldante) Hudson nos convidou a tomar muita água de coco no quintal de sua mãe, Dona Ione, proprietária de um jardim incrível onde nasce graviola, cana, maracujá, maracujá-do-mato, coco, acerola, manga, orquídeas, bromélias, e muitos caranguejos escondidos no mangue aterrado.

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