7/11/12 [TEXTO] Reserva de Jacarenema – Barra do Jucu – Vila Velha por Marcela Arantes

Água é sempre a mesma?

Rio tem a memória de ser rio, de ventar, do silêncio de suas águas movediças?
Que diz um rio sujo?
É ter plástico, garrafa de pulmão, recobrindo nossos músculos e ar?
Como vive um corpo sem dança?
Sem poder entregar-se a água, que de suja dá afliçao que toque nossa pele.
Nos metamorfoseamos em garça ou capivara?
Dragar a sujeira e se alastrar como um cabelo d‘água, gigóia.
Em suas margens ainda voa Urubu Rei e Piaçoca.
O rio canta pra quem se encanta, e estremece com o bagre boquiaberto que flutua sua morte.

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